|
Fotos de Juarez Carvalho depois do texto.
Mais um mega evento acabou de acontecer: O
Carnaval de Salvador, que atrai centenas de milhares de foliões vindos
de todo o mundo. Este evento, todos já sabem, está inscrito no
Guinness Book como a maior manifestação popular do planeta.
Mesmo assim, não podemos afirmar que o
Carnaval soteropolitano de 2006 superou em crescimento e animação o de
2005. Neste ano, parecia que o povo estava mais lento; os blocos mais
vazios, as atrações cansadas. Os camarotes não tinham a vibração de
anos anteriores.
Talvez a mexida na quinta-feira de
Carnaval, quando o prefeito João Henrique levou a abertura do evento
do Centro da Cidade para o Bairro da Liberdade tenha provocado os
orixás, fazendo com que todos os santos virassem as costas para a
cidade. Exageros à parte, mas que em 2006 o Carnaval de Salvador foi
fraco em relação aos anos anteriores, isso foi.
A Revista
EXCLUSIVA
durante 17 anos consecutivos vem cobrindo esta festa, e é primeira vez
na história que vemos um declínio no evento. Acreditamos que por a
prefeitura ter burocratizado, cobrado e taxado demais, tenha tirado um
pouco dos investimentos daqueles que contribuem para o colorido do
maior Carnaval da Terra.
De certo que para arrumar a casa, é
preciso desarrumá-la, e talvez tenha sido isso o que ocorreu com o
Carnaval de Salvador. Em outra visão, podemos enxergar que a
estabilidade do crescimento se faz presente; parece-nos que a festa
está quase estagnada, no topo do patamar, não tendo mais espaço para
crescer dentro das áreas já demarcadas:
Os empresários que nunca se estabelecem
deixam de participar por não encontrarem espaço para aventuras; os que
estão estabilizados mantêm suas performances; a prefeitura busca
cobrar tudo que é possível e isso causa desaquecimento na atuação
privada, apesar de os investimentos para o Carnaval feitos pela
Prefeitura Municipal em parceria com o Governo do Estado da Bahia
tenham dobrado em relação o ano passado. A política se faz presente em
todas as cordas e os pequenos blocos amargam o peso dos conchavos.
Mas nem tudo foi declínio no Carnaval de
Salvador de 2006: “A beleza foi mais bela” e se fez presente nos
blocos Camaleão, Nana Banana, Coruja, Me Abraça, Cocobambu e no Papa
com a Banda Babado Novo e a loirinha toda bonitinha Cláudia Leite. O
Ylê Aiê foi o mais belo dos belos e o Olodum bateu forte no tambor
como nunca.
Gandhy
perde tradição e vira reduto de beijoqueiros
Um detalhe em um dos blocos tradicionais nos chamou
atenção: o Bloco Filhos de Gandhy não é mais o mesmo. Onde estão os
estivadores, os negros característicos associados dessa que é a mais
tradicional agremiação carnavalesca do Carnaval da Bahia? Parece que
deram espaço aos “moços bonitos” e beijoqueiros vindo de todas as
partes do País, principalmente de São Paulo.
Sabe-se que os colares pendurados em centenas ao
pescoço transformam-se facilmente em beijo na boca durante o desfile
do bloco; rapazes ficam espalhados por todos os circuitos, atacando
jovens e beijando-as em troca de um colarzinho azul e branco. Até a
passarela do Campo Grande, que deveria ser mais fiscalizada pela
organização do evento, vira palco para os beijoqueiros de plantão,
vestidos com a fantasia dos Filhos de Gandhy. Uma lástima. Não que
tenhamos alguma coisa contra o beijo na boca, ao contrário, mas beijo
bom deve ser conquistado e não trocado ou comprado.
Rádio
tentou roubar o lugar da
EXCLUSIVA
e se deu
mal
A Rádio Itapoan FM, do deputado
federal Pedro Irujo, que no uso de suas “atribuições” roubou
politicamente o lugar da Revista
EXCLUSIVA
que há dez anos consecutivos montava seu espaço na “Ilha da Exclusiva”
denominação carinhosamente dada pela administração anterior da
Prefeitura do Salvador, ao canteiro que fica na subida do “Morrinho do
Espanhol”, na Avenida Getúlio Vargas.
Grandes veículos de comunicação
“paqueravam” aquele local, entretanto, o sentimento ético e a
preservação da “coisa conquistada” prevaleceram até o ano passado.
Agora com o domínio total dos espaços pela nova administração da
cidade, a tradição e o passado não foram respeitados. Tiraram-nos do
local alegando que era “passagem e zona de escape de pânico da
população”. Não contestamos, pois pensamos que essa seria a real
intenção, até porque somos daqueles que pensam que pelo povo, tudo.
Porém, para nossa decepção e de todos que viram, foi montado, não no
local do qual nos tiraram, mas exatamente no Morrinho do Espanhol uma
grande estrutura metálica, um verdadeiro camarote para servir de
“base” à Rádio Itapoan FM do deputado Pedro Irujo.
Perguntamos perplexos: como uma rádio que
se diz popular, propriedade de um deputado federal eleito pelo povo,
dirigida por competentes radialistas, pode conceber a idéia de
utilizar um espaço tão precioso para o povo como o Morrinho do
Espanhol? Esse local é notoriamente uma zona de escape, uma
arquibancada natural para os que não podem pagar um camarote.
Sabemos que essa foi uma jogada política
imposta pelos conchavos que não vêem ninguém em sua frente. Quando
esse pessoal quer uma coisa, passa por cima da cabeça de quem quer que
seja. Mas se esquecem que existem algumas cabeças protegidas por todos
os santos, e quem nelas pisam se dão mal, foi o caso do deputado
federal Pedro Irujo, que tentou nos roubar o lugar usando o poder
político e se deu mal.
Prefeito
desarma circo de Irujo
João Henrique, o prefeito do povo, após
tomar conhecimento daquela aberração não titubeou: Mandou desmontar
aquela coisa horrível que consumia grande parte do Morrinho do
Espanhol e o Carnaval do povo foi respeitado incondicionalmente. De
parabéns o prefeito com sua atitude. Já no deputado e seus cúmplices,
digo, comandados, um belo e estrondoso cacete.
Moral da história: ninguém ficou no
local, nem a Revista
EXCLUSIVA,
que foi deslocada para o lado da praia com uma estrutura de 16,5m x
4,40m em troca dos antigos 6,60m x 4,40m, nem a Itapoan FM que não
teve estrutura alguma, tamanha foi a sua ganância e, sobretudo, falta
de ética.
Mudança
do Garcia é o ruído da passarela
O Carnaval do Centro da Cidade deve ser
respeitado. Carnaval é Carnaval, não é espaço para protestos e
movimentos políticos. O povo tem o direito ao belo, ao colorido, à
música, aos trios elétricos. Os turistas não precisam ficar à mercê da
vontade de um bando de irresponsáveis que utilizam um espaço tão
nobre, num horário escaldante para falar um monte de baboseiras,
discursos mal produzidos, proferidos por pessoas sem preparo, sem
cultura, com linguajar vergonhoso que dói aos ouvidos.
Estamos falando da Mudança do Garcia, o
ruído da passarela, pela qual não temos nenhuma objeção, desde que seu
desfile aconteça em um horário mais apropriado, e sugerimos que seja
até às 11 horas, ou após as 19 horas. Seus protestos iriam ser vistos
e ouvidos de maneira mais coerente e menos cansativa para o público
que espera os grandes blocos passarem na Passarela do Carnaval, e não
grupos de pessoas protestando de todas as formas.
Não queremos ver nem ouvir no horário que
eles querem o que desejam enfiar em nossos ouvidos. Protestos
descabíveis, palavras repetidas. Xingam o presidente, o governador, o
prefeito, não importa quem esteja no cargo, eles querem é xingar. Mas
a liberdade de expressão também tem horário específico, quando a
palavra é xingar. De certo que o direito de expressão é assegurado
pela Constituição Federal, mas tudo tem limites. Não devemos confundir
liberdade com baderna, e a Mudança do Garcia beira a baderna devido a
sua total falta de organização.
Clóvis Dragone
CUIDADO!
Copiar fotografias na Internet e publicá-las é crime.
Clique na foto pequena e
veja bem maior.
Aguarde mais fotos.
|