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Órgãos Públicos
Existem órgãos públicos e
autarquias que realmente cumprem o seu papel com toda lisura
possível. Contudo, existem os órgãos campeões de reclamações
e os campeões de exploração.
É verdade que a Prefeitura
Municipal de Salvador vem cumprindo na média o seu papel,
atuando nas periferias, realizando obras para melhorar a
condição de vida dos munícipes, criando empregos e buscando
melhorar a educação e a saúde dos mais necessitados. Talvez
o saldo credor desta atual administração seja positivo.
Porém, não podemos deixar de
anotar e apontar as falhas que vemos na cidade, até porque,
divulgando, acreditamos que estamos colaborando para o
aperfeiçoamento da administração.
É possível que o prefeito, mesmo
sendo bem assessorado, não esteja por dentro de tudo que
ocorre de errado em sua cidade, ou mesmo, sabendo das
reclamações, não tenha conhecimento que as soluções dos
problemas estão sendo ou não providenciadas. Afinal, a
capital baiana é a terceira maior cidade do País e está
entre as cem maiores do mundo.
Os problemas: Quebra-molas
Salvador tornou-se um “campo
minado” por quebra-molas. É um absurdo a quantidade desses
obstáculos espalhados pela cidade. Existem bairros na
periferia que cada morador coloca um em frente à sua porta.
Na Rua Lima e Silva, uma avenida travada por engarrafamentos
constantes, colocaram verdadeiras pranchas de decolagem.
Parece que os engenheiros e controladores do trânsito fazem
questão de ser “tupiniquins”. Coisa de interior retrógrado,
aquele que em 100 anos não acrescentou uma rua sequer ao seu
território.
Chupa-cabra
Não obstante a necessidade de
garantir a segurança ao pedestre e ao povo em geral,
coibindo o excesso de velocidade nas ruas e avenidas da
cidade, constatamos o abuso e a falta de vergonha daqueles
que “trabalham” com os fotógrafos eletrônicos chamados de
radares, fotografando para multar os motoristas desavisados
ou distraídos que circulam, principalmente à noite, em
algumas artérias de bairros desertos como o Comércio, por
exemplo.
Na Avenida da França, os
prepostos da SET armam os equipamentos normalmente depois da
meia-noite, quando o movimento naquela área é quase nenhum,
e faturam alto. Estacionamos o carro próximo ao Hospital
Naval, simulando uma pane no motor e em pouco menos de meia
hora contabilizamos 21 flashes disparados pelo equipamento.
Ora: passar numa avenida como aquela, deserta, depois da
meia noite, com uma velocidade abaixo de 60km/h é sem dúvida
uma negligência do condutor do veículo, vez que, mesmo
diante de uma zona militar, o perigo trafega lado a lado com
o motorista.
Mas se é negligência de quem
dirige o veículo, é uma irresponsabilidade de quem decretou
que ali a velocidade de segurança é de 60Km/h. É óbvio e sem
outra explicação que aquilo é mais uma fonte de renda para a
empresa que terceiriza o serviço. Alias, enquanto a máquina
dispara os flashes flagrando os velocistas da noite, os
prepostos da SET curtem bem uma partidinha de dominó ou de
baralho, e quem sabe até regada a uma boa cervejinha gelada.
Pouca vergonha...
Outra: existem várias avenidas
com periculosidades simulares e com velocidades diferentes.
Uma estabelecida a velocidade de 60Km/h, outra com 70 e
outras com 80Km/h. Com que intenção isso é determinado? Que
parâmetros são estudados para a definição da velocidade numa
avenida?
Com as máquinas que hoje se
compra no mercado automobilístico, fica quase impossível
controlar ou sentir a diferença de velocidade entre 60 e
70Km/h, passando para 80. Tudo isso faz-nos pensar na
maldade da decisão. Sugestão: Por que não usam apenas duas
velocidades, 60Km/h ou 80Km/h. Essa de setenta é uma
verdadeira pegadinha.
Mal pensado
Outra fonte de renda para a
Prefeitura é a SUCOM. Como se não bastasse o IPTU, as taxas
se localização e funcionamento, hoje TFF - Taxa de
Fiscalização de Funcionamento (se paga para ser
fiscalizado), taxa de publicidade e outras tantas outras,
esse órgão público mete a caneta nas empresas sem dó nem
piedade, não importando o tamanho, alias, as que mais sofrem
são as menos favorecidas, sabe-se lá por quê. A empresa,
antes de começar suas atividades, afixou uma placa medindo
5mx3m na fachada do seu pequeno prédio, mais com a intenção
de cobrir um espaço que ficava entre o prédio da esquerda e
o da direita, produzindo um visual melhor para o trecho da
rua que já não é essa belezura.
Não se sabe também porque, o
pedido para o alvará da referida placa foi indeferido apenas
com o seguinte argumento: “Indeferido”, sem mais nenhuma
explicação. O proprietário recorreu da decisão do fiscal
junto ao órgão competente e teve ratificado o indeferimento.
Nesse ínterim, o estabelecimento
foi multado em R$300,00. O proprietário insatisfeito, até
porque a placa não lhe valia tanto assim como publicidade e
a localização não prejudica nem faz a tal poluição visual,
pelo contrário, voltou a pedir nova vistoria para a
permanência da publicidade no local, argumentando que o
vizinho tinha um outdoor bem maior que a sua
“plaquinha”, e possuía o alvará. Porém para sua surpresa,
esse pequeno e sofredor empresário, que busca a todo custo
manter a sua empresa que dá emprego a vários pais de família
e sustenta sua, recebeu mais uma multa de R$2.700,00
referente a uma placa de 5mx8m, ou seja, 25m2 a mais que a
placa afixada no local. Para completar o drama desse pobre
empresário, enquanto procurava um advogado para defendê-lo
diante desse absurdo, teve a visita, vale salientar, de
prepostos muito educados, com a autorização de remoção da
tal placa, sob pena de ser a empresa novamente multada.
O proprietário argumentou e
disse que poderiam sim, retirar a placa de 5mx8m como
contava na autorização de remoção, e não a que ali estava.
Porém, como a conversa entre o agente da SUCOM e o
proprietário da empresa foi cortês, entraram num acordo e a
placa foi pintada até que se resolva a questão junto ao
órgão da prefeitura.
Ora, será que não tem um
vereador que faça um projeto que garanta uma publicidade
mínima na frente de todo estabelecimento comercial por conta
das taxas já cobradas como a de localização, de
fiscalização, IPTU, ISS e outros? Ou até mesmo que o
prefeito João Henrique se sensibilize com os pequenos
empresários e decrete o direito da afixação de uma
publicidade compatível com cada fachada. É justo, afinal,
como pode uma pequena empresa que vive da porta faturar,
gerar impostos, empregos, renda sem o mínimo de publicidade?
Clóvis Dragone (Jornalista) |
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