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Personalidade

A complicada relação de pessoas com personalidades diferentes é abordada com humor e deboche em “Quero Ficar Com Polly”. As atitudes humanas estão ligadas à sua índole ou tem a ver com a sua criação, fruto do meio ou da base familiar? É um questionamento sempre presente que, provavelmente, nunca terá resposta que não seja especulativa.

As manias, as fobias, as desconfianças, estão presentes em todos e justamente este fato junta ou afasta as pessoas. O velho ditado “os opostos se atraem” costuma dar mais certo na teoria do que na prática, já que no mundo corrido de hoje, em que as pessoas estão sempre no seu limite, qualquer faísca tem o poder de causar um incêndio, principalmente entre pessoas com personalidades e conceitos opostos. Mas como nada é previsível em certeza plena, quando menos se espera, as coisas dão certo.

Existem os que preferem a segurança de uma relação tranqüila, sem maiores preocupações, mas, em compensação, isenta de paixão. E existem os que gostam de emoções fortes, assumem riscos e transformam a incerteza em estímulo para manter a intensidade de uma relação e aproveitar ao máximo os momentos.

As diferenças podem gerar aprendizado e momentos divertidos, mas lidar com elas não é fácil. A vida calma demais pode acomodar, entediar e tornar o conformismo um freio para o crescimento. Não se pode dizer qual a melhor opção: é uma escolha, a princípio, pessoal - já que se tratando de relações, principalmente de amor, o previsível quase não tem vez.

Quero Ficar Com Polly

Reuben Feffer (Ben Stiller), um excêntrico e metódico analista de riscos de uma grande seguradora, é traído pela esposa em seu primeiro dia de lua de mel. Sua vida vira de cabeça para baixo, até o momento em que reencontra uma velha amiga dos tempos de escola, a sexy e desleixada Polly (Jennifer Anniston).

A atração dele pela garota é imediata, mas ela é completamente o oposto dele: vive intensamente, é desligada e impulsiva. Apaixonado, Reuben vê a chance de colocar a sua vida em ordem e sonha em casar, mesmo sabendo que a moça não é adepta a relações convencionais. Seu grande dilema é se essa não será mais uma grande desilusão amorosa.

Grande sucesso de bilheteria, o filme tinha tudo para ser aquela típica comédia besteirol americana. A velha fórmula foi usada: um comediante de sucesso (Stiller) e uma garota linda (Anniston) para fazer o par romântico. Mas, dando os devidos descontos, “Quero Ficar Com Polly” até que surpreende.

É leve, não é exagerado com as piadas grosseiras e tem tiradas excepcionais. O roteiro não é nenhum primor, mas está bem longe dos filmes adolescentes em que a história parece ser escrita num rolo de “papel higiênico”.

Ben Stiller é sempre perfeito para o papel de yuppie atrapalhado e já fez fama e fortuna com a comédia “Quem Vai Ficar Com Mary”, e Anniston é sempre a mesma: dá pro gasto. Não dá para esperar dela nada além do que fez.

Quanto a Philip Seymour Hoffman, como não podia ser diferente - por ser um ator eclético e fabuloso, rouba literalmente as cenas em que participa. É responsável direto por alguns dos melhores momentos do filme. Isso sem falar no furão cego de estimação de Polly, que é um notório ator coadjuvante. Vale dar uma conferida.

Ângelo Monteiro
dicomonteiro@hotmail.com