Sofista
da Redação

Homem sagaz, pronto a sustentar uma tese ou, indiferentemente, a tese contrária; aquele que “adultera” os discursos com excessivas sutilezas; fraudulento, que recorre a todos os truques da linguagem para prevalecer na discussão, ou simplesmente para ser aplaudido pelo público. Essas são algumas definições contemporâneas do termo grego escolhido como título do novo trabalho de Giovanni Casertano pela PAULUS: Sofista.
“Mas, historicamente, quem foi o sofista?” É com essa indagação que o autor apresenta um de seus objetivos: situar o leitor na história, elucidando o porquê da “imagem perdedora” dessa figura criada na Antiguidade, que chegou até os nossos dias de modo complexo e não linear.
“Se quiséssemos responder de modo paradoxal, mas paradoxal só aparentemente, poderíamos dizer que sofista não era ninguém, ou que sofistas eram todos os filósofos, sábios, poetas, cientistas, técnicos da Grécia clássica ou não: tão amplo e variegado era o arco das figuras às quais este termo foi aplicado na história da cultura grega”, explica o autor.
Casertano conta que foi em Atenas, no século V, que esta palavra passou a ser usada num sentido mais técnico. Mas foi somente no século IV, com Platão e Aristóteles, que o termo “sofista” começou a adquirir um sentido mais exato e próprio. “Distinguir quanto existe de histórico naquela imagem negativa e quanto, pelo contrário, seja devido à polêmica contra eles, fizeram justamente Platão e Aristóteles, e na esteira deles, todos os autores posteriores até hoje, foi um longo trabalho de historiografia filosófica sobre o antigo, a partir do final do século passado.”
Dividida em 16 capítulos, a obra proporciona ao interessado uma análise sobre as reflexões feitas pelos sofistas no campo da filosofia, da ética e da política, que continuam vivas e atuais. Da coleção Philosophica, Sofista conta com vastas referências bibliográficas e um glossário, elementos que ajudam o leitor a se aprofundar nesta temática.
Giovanni Casertano (1941) é professor titular de História da Filosofia Antiga na Universidade de Nápoles Federico II. Interessa-se principalmente pela filosofia grega clássica e estudou de modo particular os pré-socráticos e Platão. Tem cerca de 200 publicações (volumes, artigos, ensaios), publicadas na Itália e fora dela.






